
CIÊNCIA E ESCUTA
Uma médica que reúne as partes da história.
Sou mãe atípica, médica, pesquisadora e professora universitária. Na clínica, busco compreender como desenvolvimento, saúde mental, sono e contexto se relacionam no funcionamento de crianças e adolescentes. Escutar a família, considerar a participação da criança e integrar informações da escola e dos profissionais envolvidos são partes desse trabalho.
MATERNIDADE
Minha história como mãe.
Tenho TDAH e sou mãe atípica de três meninas: Raíssa, Helena e Isadora.
Eu ainda era estudante de Medicina quando aconteceu a maior e mais significativa transformação da minha vida: Raíssa nasceu e eu nasci como mãe.
O diagnóstico de T21 foi pós-natal e mudou todo o meu olhar e a minha trajetória como médica. Desde o início, queria conhecer por inteiro aquela criança linda que ganhei como filha. Busquei aproveitar as oportunidades de cuidado e desenvolvimento desde o início.
Passei a me interessar pelo desenvolvimento infantil e a me aprofundar nesse tema. Vivenciei várias limitações da formação médica para a compreensão dos transtornos do desenvolvimento e a realidade de uma falta de cuidado coordenado.

Na pandemia, Raíssa teve uma regressão tardia do desenvolvimento e o diagnóstico de TEA. Passou a ser não verbal e a apresentar um funcionamento muito diferente do seu jeitinho comunicativo e extrovertido até então. Mas aprendi a conhecer novas formas de funcionamento da minha filha.

Com Helena e Isadora, também descobri crianças completamente diferentes e maravilhosas. Vi que uma mesma chave não abre toda fechadura. Cada uma tem sua forma maravilhosa de funcionar.
A maternidade ampliou meu olhar para os desafios da vida atípica e para as perguntas que nem sempre aparecem em um relatório. A ciência continua sendo a base sobre a qual examino essas perguntas.





Outros momentos em família



PESQUISA E DOCÊNCIA
Pesquisa e ensino em diálogo com a clínica.
Mestrado e doutorado na UFMG
Sou professora de Medicina na UNIFENAS-BH.
Minha pesquisa de doutorado na UFMG investigou transtornos do sono em crianças e adolescentes com trissomia do 21, com foco em apneia e hipopneia obstrutiva do sono. Esse percurso me ensinou a fazer perguntas mais precisas e a reconhecer os limites do que sabemos.
Estudar, ensinar e revisar evidências são partes contínuas da minha prática. Na consulta, isso se traduz em uma escuta atenta ao que acontece com cada pessoa, sem respostas prontas.
TRAJETÓRIA CLÍNICA E COLETIVA
Cuidar também é olhar para o contexto.
Trabalhei no Cersam Infantil de Belo Horizonte e acompanhei adolescentes e adultos durante internações em clínicas psiquiátricas na cidade. Nessas experiências, escutar a pessoa também exigia compreender o momento de vida, a família e a rede de cuidado ao redor.
No Programa Saudavelmente/MGS, coordeno cuidados em saúde mental para funcionários. A atuação reúne promoção da saúde mental, prevenção do adoecimento, psicoeducação e ações coletivas.
Ao longo dessa trajetória, participei da construção de projetos de extensão universitários, envolvendo ações e grupos terapêuticos destinados a mulheres em situação de violência, pessoas enfrentando problemas relacionados ao uso de substâncias e mães, pais e responsáveis por filhos neurodivergentes. Essas experiências contribuíram para minha formação humana e profissional.
Elas reforçam algo que levo para a clínica: compreender o sofrimento psíquico pede atenção à história, às relações e ao contexto em que uma pessoa vive.
MINHA HISTÓRIA
De onde vem parte do meu olhar.
Meu pai, Roberto Assis Ferreira, é pediatra, psicanalista e professor emérito da UFMG. Com ele, aprendi a importância da escuta, de ouvir o não dito, da investigação cuidadosa e do diagnóstico diferencial.
Em encontros acadêmicos, ele tratou da relação médico-paciente na adolescência e da importância de ouvir o jovem, que muitas vezes chega à consulta por iniciativa dos pais. Também sempre falou sobre o cuidado que ultrapassa a dimensão técnica.
Minha mãe, Maria Jussara Fernandes Fontes, hoje leciona na UNIFENAS, após aposentar-se como professora do Departamento de Pediatria da UFMG, atuando em pneumologia infantil. Ao falar de saúde respiratória das crianças, chamou atenção para o ambiente doméstico e para cuidados simples do cotidiano.
Com minha mãe, aprendi a cuidar, desenvolvi um olhar cuidadoso e humano, me encantei pela pesquisa e percebi como a respiração pode afetar o desenvolvimento.
Cresci perto de trajetórias dedicadas à medicina, à infância e ao ensino. A minha própria maneira de cuidar ganhou contorno no encontro com pacientes, na pesquisa, na docência e na maternidade.



Trajetórias profissionais: Roberto e a adolescência · relação médico-paciente · Maria Jussara na UFMG.
O que permanece em cada frente do trabalho.
Compreender melhor. Organizar prioridades. Construir próximos passos. É assim que o Cuidar IntegralMente se traduz em decisões concretas, sem reduzir a pessoa a um diagnóstico.
Pesquisa e publicaçõesComo cuido